15 de setembro de 2016

"Esse é o poder da equoterapia - é uma experiência de movimento intensivo. A pessoa no cavalo é forçada a responder a essa movimentação", explica Shurtleff.


14 de setembro de 2016

Terapia com cavalos ajuda a melhorar a concentração e reflete no desempenho escolar


Técnicas de equitação servem para trabalhar princípios como a disciplina

Encilhar o cavalo, preparar a sela e seguir um circuito pelo picadeiro no ritmo ditado pelo instrutor. Terminada a sequência, conduzir o cavalo para a baia, ajudar a limpar e alimentar o animal. Luciano Batista Nascimento, 12 anos, cumpre esse ritual uma vez por semana. Não é treino nem brincadeira. É terapia.
Na quarta série do ensino fundamental, Luciano já repetiu de ano duas vezes e dava trabalho à mãe, Rejane Nascimento, e aos professores da Escola Jardim Vila Nova por causa da falta de disciplina e das notas baixas. Em acompanhamento psicológico e neurológico para investigar as causas da dificuldade de aprendizado, chegou à equoterapia por sugestão da diretora da escola, Tânia Araújo, que percebeu que ele gostava muito de cavalos. Segundo ela, o desempenho na escola tem melhorado com a continuidade do tratamento. A mãe de Luciano também nota que as sessões semanais que ele frequenta desde março fizeram diferença.

— Antes era uma briga para ele ir à escola, agora ele tem disposição para as aulas e as notas já melhoraram bastante — comemora Rejane.

A explicação está em um princípio básico de qualquer modalidade esportiva: disciplina. O fisioterapeuta Paulo Bazile, instrutor de Luciano, comenta que, em casos como o dele, o método terápico é um treinamento pré-esportivo, que consiste em desenvolver manobras de equitação, com evolução progressiva no nível de complexidade dos exercícios.

— Ele precisa compreender que cada etapa é importante para o resultado final, o que exige esforço e concentração — explica Bazile.

As lições da equitação na sala de aula chegam sem que a criança se dê conta. Conforme a psicóloga Maria Alice Targa, especialista em crianças e adolescentes, o benefício é intuitivo. A criança passa a observar que o cavalo está solto no campo em um momento e no outro é obediente e se deixa ser domado, como ocorre na escola, por exemplo, onde é preciso respeitar os momentos de aula e deixar as brincadeiras para o recreio.
— O trabalho integrado da terapia convencional com técnicas complementares vai ajudar a criança a se dar conta desses movimentos internos, com benefícios tanto neurológicos como cognitivos — explica Maria Alice.

Essa tomada de consciência é percebida até mesmo na evolução do treinamento. A fisioterapeuta e especialista em reabilitação neuromotora, Fabiane Antunes, que também trabalha com equoterapia, lembra que Luciano chegou à fazenda querendo fazer tudo do jeito dele, com pressa, agitado. Depois foi percebendo que tinha resultados melhores se seguisse as instruções.

— Reflete no aprendizado porque ele adquire mais confiança na realização das atividades — diz Fabiane.
Estímulo do ambiente
Para os instrutores, o diferencial da equoterapia é justamente o cavalo: o animal aumenta a motivação que a criança tem para fazer as atividades e o ambiente aberto implica em menor resistência ao tratamento em relação a um consultório convencional. Foi esse mesmo motivo que levou Fabiane, natural de Alegrete, e Paulo, que veio de Santana do Livramento, a trocar a atividade clínica pela fazenda.

— O contato com o campo permite uma terapia mais lúdica, que traz benefícios não só motores e comportamentais, mas também cognitivos e de linguagem — descreve Fabiane.
A fonoaudióloga Daniela Padilha atesta os benefícios da terapia com cavalos para o desenvolvimento da fala:
— A experiência sensorial serve como estímulo para a produção da linguagem, seja reproduzindo sons da natureza, seja chamando o nome do animal, sem contar a adequação de musculatura para a fala — enumera afonoaudióloga.
Esther Maggi, mãe de João César, que tem quatro anos e é portador de Síndrome de Down, percebe que o vínculo afetivo que ele criou com a égua Serena, que o acompanha nas sessões, tem ajudado o garoto a se comunicar melhor. Percebe também que os exercícios tornaram seu caminhar mais firme e melhoraram a postura.
Apesar de o tratamento, na maioria das vezes, ser multidisciplinar, a equoterapia também pode ser introduzida na rotina da criança de forma independente. A técnica é indicada para bebês a partir de um ano, para estimulação precoce das funções motoras e também da linguagem.
Principais benefícios da equoterapia

:: Regularização do tônus muscular
:: Melhora do equilíbrio e da coordenação visiomotora
:: Melhora da autoestima e da autoimagem
:: Socialização
:: Contato com a natureza
:: Equilíbrio emocional

Fonte: 
http://zh.clicrbs.com.br/rs/

5 de setembro de 2016

A equoterapia trabalha o corpo sem que o paciente perceba


Estudo descobriu que crianças com paralisia cerebral conseguiam aumentar o controle do corpo depois de apenas dez sessões de hipoterapia; habilidades motoras básicas e mais especializadas também melhoraram.
Jack Foster, de três anos, sentou no colo da mãe enquanto ela enrolava cuidadosamente uma toalha em torno de seu pescoço.
"Jack tem paralisia cerebral e pouco tônus muscular. O maior desafio é manter sua cabeça levantada", contou sua mãe, Emily Foster, de Northbrook, em Illinois.
Com ajuda da terapeuta ocupacional de Jack, Emily colocou um capacete de equitação na cabeça do garoto e encaixou o fecho. Então, viu a terapeuta ocupacional e dois voluntários colocarem o menino sobre um pônei avermelhado. Jack parecia encantado enquanto um dos voluntários se postava do seu lado direito cantando suavemente e o outro conduzia o pônei em ritmo lento pela arena.
Jack estava na Horsefeathers Therapeutic Riding em Lake Forest, Illinois, para fazer equoterapia (ou hipoterapia), um tipo de terapia feita a cavalo e conduzida por terapeutas físicos e ocupacionais e fonoaudiólogos para melhorar o tônus muscular, a fala e outras funções do corpo ("hippus" é a palavra grega para cavalo; a Associação Americana de Hipoterapia tem uma lista de terapeutas no site americanhippotherapyassociation.org). A equoterapia é usada para tratar uma grande variedade de problemas, incluindo danos e paralisia cerebrais, curvaturas na espinha, deficiências intelectuais e distúrbios de linguagem e de processamento sensorial.
O movimento natural dos cavalos permite que os terapeutas trabalhem para alcançar os objetivos do tratamento em um cenário que pode parecer divertido, mas que, como mostram as pesquisas, traz benefícios reais. Um estudo recente publicado na Physical & Occupational Therapy in Pediatrics, por exemplo, descobriu que crianças com paralisia cerebral conseguiam aumentar o controle do corpo depois de apenas dez sessões de hipoterapia. Habilidades motoras básicas e mais especializadas também melhoraram.
Um cavalo caminhando em volta de um celeiro dá cerca de 100 passos por minuto, afirma Tim Shurtleff, instrutor do programa de terapia ocupacional da Universidade Washington em Saint Louis. Cada passo empurra a pélvis do cavaleiro para frente, assim, depois de 35 minutos, a pessoa fez mais de 300 repetições do "desafio do tronco", em que essa parte do corpo é levada para frente e para trás. A cada passo que o cavalo dá, o cavaleiro precisa trabalhar sutilmente para se manter ereto.
"Esse é o poder da equoterapia - é uma experiência de movimento intensivo. A pessoa no cavalo é forçada a responder a essa movimentação", explica Shurtleff.
Para cavaleiros como Jack Foster, que vem fazendo hipoterapia há mais de um ano, o movimento da pélvis ajuda a fortalecer o tônus muscular de seu pescoço e tronco, enquanto relaxa músculos de seus quadris e coxas. Normalmente, "ele se curva e se estica, o que deixa seus quadris e suas coxas bem travados. Sentar no cavalo faz com que se alongue", afirma Emily.
Durante uma típica sessão de terapia, Jack monta no cavalo olhando tanto para frente quanto para trás. As sessões podem incluir jogos de bola ou colocar anéis em bastonetes e cones, desenhados para melhorar o controle do tronco e do pescoço e sua habilidade para alcançar objetos.
Pesquisadores agora estão testando a equoterapia como uma intervenção para adultos com esclerose múltipla e outras doenças neurológicas. Deborah Silkwood-Sherer, diretora do programa no departamento de Terapia Física da Universidade Central de Michigan, diz que a hipoterapia também pode aumentar a motivação em crianças com deficiências que já passaram por anos de tratamentos.
"As pessoas não percebem que estão trabalhando duro sobre o cavalo", explica Deborah. A imagem visual e as sensações que um celeiro ou um estábulo oferecem são um estímulo adicional. "As crianças nunca acham que estão fazendo terapia."
Meredith Bazaar, de Ringwood, Nova Jersey, patologista de fala e linguagem, usa a hipoterapia para tratar clientes, incluindo aqueles com apraxia da fala, um distúrbio cerebral que torna difícil articular sons ou palavras.
"O movimento do cavalo é tão repetitivo e coordenado", conta a terapeuta, que permite que ela mexa os lábios, o queixo e as bochechas do paciente com as mãos para ajudá-los a fazer o som desejado. Com cada passo que o cavalo dá, o cliente repete um som, como "ga", que também pode funcionar como comando para o cavalo andar, como "vá".
No Horsefeathers, o fundador e diretor executivo, Nick Coyne, possui dez cavalos e pôneis mansos que usa para hipoterapia e equitação adaptada, que permite que pessoas com deficiências físicas e mentais cavalguem. Ele se refere a alguns de seus animais como "cavalos bomba", o que significa que uma bomba poderia explodir e os animais não reagiriam.
Os cavalos são treinados para parar assim que sentem que o cavaleiro está escorregando e para ignorar os repentinos gritos de encantamento que o cavaleiro pode dar, assim como os movimentos espasmódicos, explica Coyne.
Alex Brock, de 22 anos, de Lake Bluff, em Illinois, tem microcefalia e paralisia cerebral, não verbaliza palavras, tem incontinência e dificuldade para processar a linguagem. Ele já saiu do sistema público de ensino, mas, uma vez por semana, ansiosamente sai de sua cadeira de rodas para trabalhar com Coyne como um cavaleiro adaptado.
Sua mãe, Trina Brock, incialmente não acreditou quando ouviu falar de equitação adaptada na antiga escola de Alex. "A primeira coisa que pensei foi: como ele vai montar em um cavalo?", conta. Mas ela afirma que seu filho agora espera feliz sua visita semanal ao celeiro e que os exercícios ajudaram a fortalecer seu tronco.
São necessárias três pessoas para ajudar Alex a montar, e Trina diz que chorou na primeira vez que viu seu filho em cima de um cavalo.
A hipoterapia não é indicada para todo mundo. Meredith Bazaar explica que alguns clientes têm alergias a cavalos e os medicamentos podem deixá-los muito sonolentos para montar. As pessoas com alterações na coluna, como espinha bífida, também não são bons candidatos, e aqueles com síndrome de Down e outros problemas devem primeiro ser examinados por um médico para determinar se sua coluna é suficientemente estável para suportar os passeios a cavalo, diz ela.

Mas, para crianças como Jack Foster, montar a cavalo pode trazer novas oportunidades. "Foi a primeira terapia que ele fez sem mim", conta sua mãe.

Fonte: Estadão

A Equoterapia é uma modalidade terapêutica, realizada junto com cavalos reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina, destinada a crianças e adultos portadores de alguns diagnósticos, do mais leve, moderado ou severo. Sejam elas físicos, intelectuais ou mentais, onde o cavalo age como meio e maior facilitador através dos movimentos do andar do cavalo que se chama andadura, proporcionando a reabilitação, com ganho de força muscular, equilíbrio, melhora na postura, coordenação motora, autoconfiança, autoestima, entre outros. É o chamado movimento tridimensional, onde ocorrem movimentos do cavalo chamados latero-laterais, ântero-posteriores e cefálio-caudal. O cavalo realiza movimentos de rotações para dissociação de cinturas escapular e pélvica, inclinações de tronco para transferência de peso. Essas oscilações ocorrem no mesmo plano que do ser humano e são interpretados pelos canais semicirculares do aparelho vestibular como movimentos fisiológicos.
A Equoterapia vem se desenvolvendo nos últimos anos, por atuar com uma equipe multidisciplinar, onde o indispensável acompanhamento do psicólogo junto a orientação familiar e educacional e do fisioterapeuta, que também possui papel importante junto ao tratamento, estudos realizados na área têm se mostrado satisfatórios em pacientes de síndromes neurológicas, principalmente no que diz respeito à reabilitação de pacientes com síndromes como a Síndrome de Down.
Existem várias pesquisas no que diz respeito equoterapia, ao movimento do dorso do cavalo e as suas consequências do que diz respeito ao seu praticante/cavaleiro/amazona.
Uma destas consequências é o ajuste tônico, pois o cavalo é um animal que sempre está em movimento, sua própria respiração, faz um grande movimento, principalmente, pelo tamanho dele, portanto, nunca está totalmente parado, ocorre troca de patas, movimentos do pescoço, o abanar do rabo, com isso, impõem ao praticante/cavaleiro/amazona, um ajuste em todo seu comportamento muscular e postural, a fim de responder ao desequilíbrio provocado por esses movimentos. Esse ajuste tônico ritmado, isto é, essa postura,  ocasionando pelo passo do cavalo, proporcionando mobilização ósteo-articulares que facilitam um grande número de informações proprioceptivas, isto é, melhoras em nível intelectual, sensorial, postural, etc… exigindo do praticante/cavaleiro/ amazona contração e relaxamento simultâneos dos músculos chamados agonistas e antagonistas.
Os principais benefícios da Equoterapia são: melhora do equilíbrio e postura; portanto autoconfiança e autoestima, levando a melhora, principalmente, da atenção, e mais  desenvolve a modulação tônica e estimula a força muscular;  desenvolvendo ainda a coordenação de movimentos entre o tronco, andar, membros e visão; promove a organização e a consciência corporal; estimula a sensibilidade tátil, auditiva, visual e olfativa; oferece sensação de ritmo; desenvolve a coordenação motora ampla e fina; aumento da autoestima, facilitando a integração social; em consequência estes têm um melhor desempenho e qualidade de vida.