26 de julho de 2011

A Síndrome de Down na Equoterapia


A síndrome de Down é uma síndrome genética causada pela trissomia do cromossomo 21 e caracterizada por atraso na aquisição das habilidades motoras. Um dos principais propósitos da intervenção fisioterapêutica, nessa síndrome, é atingir o nível máximo de autonomia funcional, dentro dos limites dos comprometimentos do paciente. O desenvolvimento motor, sendo componente substancial para a vida independente, é um dos resultados mais almejados.
A crescente aceitação pela sociedade da idéia de que os portadores de síndrome de Down têm potencialidades a serem desenvolvidas, vem aumentando a participação destas  pessoas em programas de reabilitação. Entretanto, esta população recebe intervenção constante e precisa estar sempre encorajada a participar dos atendimentos para que possa obter o máximo de benefícios. Por isso, a fisioterapia deve contemplar atividades que despertem interesse e, ao mesmo tempo, tenham um caráter terapêutico.
Surge, então, a possibilidade de inserção da prática da equoterapia. No portador de síndrome de Down o desenvolvimento motor se processa da mesma maneira que nas pessoas ‘normais’. Entretanto, as aquisições ocorrem de forma mais lenta, o que pode, algumas vezes, frustrar as expectativas criadas pela família e pela sociedade.
Segundo Medeiros e Dias (2002), a ato motor baseia-se em sentir, perceber e realizar o movimento. Desta forma, a dinâmica da equoterapia facilita a aprendizagem motora pelos estímulos ofertados aos sistemas sensoriais responsáveis pelo ato motor, o que leva às mudanças na organização neural (plasticidade neuronal). “[...] contribuindo assim para o desenvolvimento do tônus e da força muscular, relaxamento, conscientização do próprio corpo, equilíbrio, aperfeiçoamento da coordenação motora, atenção, autoconfiança e auto-estima.” (BOULCH, 1996 apud KAGUE, 2004, p. 36).
A realização das sessões de equoterapia dá-se em local amplo, ao ar livre e na companhia de um animal dócil de grande porte. O praticante desperta sua imaginação e criatividade, o que facilita a abordagem lúdica. No picadeiro deve-se ter espaço disponível para a prática de atividades variadas e dispor de diferentes materiais para auxiliar a execução destas atividades, tornando-as mais atrativas e potencializando os objetivos almejados. É necessário recorrer a um amplo repertório de atividades para que a mudança constante de tarefas evite o desinteresse e mantenha a atenção durante a prática da equoterapia.
Os benefícios das atividades com o cavalo são atribuídos a uma combinação de estímulos sensoriais gerados pelo movimento produzido pelo passo do animal sob os sistemas básicos humanos que, em conjunto, resultam em uma integração motora e sensorial ampliada. Sendo assim, o favorecimento de um maior controle motor, aumento do tônus muscular, a repetição do movimento que provoca a reeducação do mecanismo de reflexos posturais, reações de equilíbrio e a percepção espaço-temporal dos vários segmentos corporais no espaço, somado a um fortalecimento muscular, explicaria as alterações observadas. Todavia, cabe ressaltar que o efeito da equoterapia é multifatorial, o que implica um conjunto de combinações e ajustes, contribuindo de maneira geral para o quadro do praticante.                                                                         

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