31 de agosto de 2011

Ataxia e a Equoterapia



A ataxia é uma forma clínica da Disfunção Neuromotora, consequente a lesão do cerebelo ou de suas vias. Comumente, ela é conhecida por uma falta de coordenação nos indivíduos com lesões cerebelares, associados a um tremor que aparece na tentativa de movimento intencional e que aumenta de amplitude quando o indivíduo tenta um controle mais fino do movimento. A ataxia associada à marcha apresenta-se com dismetria típica e incoordenação, falta de movimentos suaves, que são compensados por uma base alargada e o uso dos braços para ter equilíbrio. Esse tipo de marcha leva a alterações em sua velocidade, cadência, simetria e tempo dos passos.
Na equoterapia O cavalo é utilizado como instrumento cinesioterapêutico para a melhora do alinhamento corporal, controle das sinergias globais e aumento do equilíbrio estático e dinâmico. Ao caminhar, o cavalo possui uma marcha de quatro batidas, que em trinta minutos de terapia, o paciente executa de 1.800 a 2.250 ajustes tônicos capazes de atuar no SNC. Quando o cavalo se desloca ao passo, o movimento realizado é tridimensional (para cima – para baixo, para frente – para trás, para um lado – para o outro), tal movimento é transmitido ao paciente pelo contato de seu corpo com o do animal, gerando movimentos mais complexos de rotação e translação. As consequentes informações proprioceptivas são interpretadas por seus órgãos sensores de equilíbrio e postura, como situações momentâneas que exigem novos ajustes posturais, para que ele continue a se manter posicionado sobre o cavalo. A postura é uma das respostas neuromecânica que se relaciona com a manutenção do equilíbrio, sua estabilidade depende do retorno à posição, após uma perturbação.
Partindo desse conceito, os pés são responsáveis pela estática e dinâmica do corpo, sustentando o peso, ajudando na propulsão e no amortecimento durante a marcha. Uma pesquisa utilizando a equoterapia como forma de tratamento para pacientes com distúrbios de coordenação, equilíbrio e apoio plantar, após a intervenção, houve uma melhora na distribuição do peso, diminuição da pressão no calcâneo, redução na pressão no hálux e variação do centro de gravidade com diminuição da base de sustentação. Outros estudos baseados na equoterapia relatam que a posição sentada sobre o cavalo provoca novas informações proprioceptivas em regiões articulares, musculares, periarticulares e tendinosas, estimulando a criação de novos esquemas motores, contribuindo desta forma para a reeducação neuromuscular. Promovendo então, um aprendizado motor, que necessita de motivação e repetição da tarefa, isso é possível através de constantes inputs sensoriais oriundos da marcha do cavalo, sendo uma marcha rítmica e harmoniosa.
Para ocorrer à aprendizagem motora e consolidação da memória de determinada tarefa, faz-se necessário o treino repetido, onde a aplicação de estímulos de forma constante e repetida, as alterações funcionais começam a ocorrer.
A neuroplasticidade também é uma resposta às experiências a adaptações a condições mutáveis e a estímulos repetidos, podendo levar a alterações estruturais do cérebro, de modo que, o mapa cortical de um adulto está sujeito a constantes modificações.
Como vimos, a equoterapia é mais uma forma de tratamento da ataxia cerebelar, onde foi observada a melhora evidente de um dos principais sintomas, o equilíbrio. A melhora do desempenho funcional permanente está associada à experiência repetitiva e prolongada, beneficiando o aprendizado motor. A prática da equoterapia atua tanto na mente como no corpo do praticante, levando-o a um estado de equilíbrio, desenvolvimento e manutenção do tônus muscular, relaxamento, conscientização corporal, aperfeiçoamento da coordenação motora, da atenção, da autoconfiança e auto-estima.

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