19 de agosto de 2011

A Felicidade das Borboletas

Para imaginar histórias, basta se concentrar um pouco. Para lembrar como é gostoso um abraço de quem a gente ama também. Para dançar uma música, é só soltar o corpo. Para ler, a gente usa os olhos... ou não.


Marcela adora música clássica. Ela diz que se sente tão bem quando ouve, mas tão bem, que pediu para a mãe matriculá-la em aulas de balé. No início, as pessoas estranharam, mas Marcela surpreendeu: aprendeu direitinho e mostrou que é possível vencer as dificuldades para fazer o que quer. E ela ficava tão feliz.
A professora ensinou-lhe todos os passos, assim como orientou as outras alunas sobre como ajudar a nova aluna a se orientar na sala e a dançar cada vez melhor. Afinal, elas iriam se apresentar no palco com um figurino lindo de borboletas ao som de uma melodia que dava a impressão de estarem voando. Só quem dança sabe.
Marcela tem nove anos e nasceu cega, por isso não sabia que bicho era esse. Suas amigas colocaram várias borboletas em suas mãos para que ela sentisse as asas e pudesse interpretar a mesma delicadeza no palco. Deu certo! Ela estreou toda bonita, guiada pela vontade de realizar o sonho e ouvindo, um pouco ansiosa, que a platéia estava lotada.
Na vida real, temos vários exemplos de bailarinos e bailarinas que não enxergam e dançam (balé, sapateado, dança moderna, de salão...) tão bem quanto qualquer outro. Aliás, você sabia que a cubana Alicia Alonso, uma das melhores bailarinas que já existiu, também tem sérios problemas de visão?
Os médicos aconselharam Alicia a abandonar o balé para sempre, mas é claro que ela não quis. Alicia chegou a ter que parar por um tempo, mas logo voltou a dançar e continuou a ser a maravilhosa bailarina que sempre foi reconhecida no mundo todo. Seu balé preferido e mais bem dançado é “Giselle”, criado no século 19, em 1841, por Jean Coralli e Jules Perrot e considerado o mais difícil do mundo por exigir muita interpretação e leveza do elenco.
Foi com “Giselle” que a bailarina passou a ser reconhecida mundialmente, por ter dado um novo perfil à coreografia. Nascida em 1920, Alicia não dança mais, mas ensina todo o conhecimento que tem sobre balé a seus alunos. Uma vez, em entrevista a um jornalista que perguntou qual era a melhor coisa da vida, ela respondeu “a própria vida”.

“As coisas mais belas da vida não podem ser vistas nem tocadas. Elas precisar ser sentidas com o coração”
Hellen Keller

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