4 de agosto de 2011

A Plasticidade e a Equoterapia


Plasticidade neuronal, recrutamento de neurônios, redimensionamento de axônios e reorganização sináptica são termos já bastante utilizados na neurologia funcional. Vamos entender o que significa cada um deles?

Plasticidade neuronal é a capacidade de áreas do cérebro ou de grupos de neurônios não acometidos por lesões responderem morfológica e funcionalmente no sentido de suprir as deficiências decorrentes da lesão.
Recrutamento de neurônios é a capacidade de um neurônio sadio assumir a especialidade de outro lesado.
Redimensionamento de axônio é a capacidade de o organismo promover o crescimento do axônio curto para longo, se a função a ser assumida assim o exigir.
Reorganização sináptica é a possibilidade de criação de novas sinapses a partir de um neurônio sadio, suprindo o vazio do neurônio lesado.

A Plasticidade é uma resposta adaptativa do cérebro diante das necessidades impostas pela vida de relação. Podemos considerar que a plasticidade do sistema nervoso é uma característica única em relação a todos os outros sistemas orgânicos, é uma resposta à experiência e à adaptação a condições mutantes a e estímulos repetidos, ou seja, a aprendizagem pode levar a alterações estruturais do cérebro. A cada nova experiência do indivíduo, portanto, redes de neurônios são rearranjadas, outras tantas sinapses são reforçadas e múltiplas possibilidades de resposta ao ambiente se tornam possíveis. De modo que o mapa cortical de um adulto está sujeito a constantes modificações, com base no uso de atividade de seus caminhos sensoriais periféricos.
Quando a alguns milhares de anos, a primeira pessoa sentou-se no dorso de um cavalo, com a intenção de dirigir seus movimentos, foi invadida a primeira fronteira entre o “eu” interior e o mundo exterior do cavalo – seu corpo biológico extrapole. A segunda etapa foi a de unir os centros de gravidade dos dois corpos, para que adquirissem coordenação e equilíbrio total em todos os movimentos e ações. A terceira etapa e mais difícil, é a coordenação sensório-motora entre cavalo e cavaleiro, que já pode ser compreendida com a ajuda dos conhecimentos físicos, químicos, biológicos e psicológicos. Podemos continuar a fusão homem-cavalo, ao entendermos o funcionamento do aparelho perceptório do cavalo e combiná-lo com o nosso, formando a união físico-psicológica.
Os movimentos e as reações da equitação são iniciadas pelo sistema sensório-motor do cavaleiro e completados pelo sistema sensório-motor do cavalo. Isto é, são deflagrados pelo cérebro do homem e finalizados pelo sistema nervosos do cavalo, criando, assim, um sistema de feedback.
Na pista, há dois cérebros neurofisiologicamente conectados, com um fluxo de informações trafegando entre cavalo e cavaleiro, retroalimentando continuamente os dois sistemas nervosos para a execução de suas complexas. Os comandos do cavaleiro e as repostas do cavalo trafegam de cérebro a cérebro no tempo de milésimos de segundo. A mente racional do cavaleiro administra a complexidade das ações, dos comandos e das intenções. A partir daí, a mente racional do cavaleiro perde a capacidade de processar as informações e sua mente emocional, conectada com a mente emocional do cavalo, estará atuando com a memória dos reflexos condicionados.
E é por meio do cavalo que achamos a porta de acesso a nossa mente emocional, que é responsável por grande parte do aprendizado e permite, por exemplo, uma mãe cuidar de seu filho, independentemente do seu grau de instrução (mente racional).  Nosso repertório emocional, desenvolvido durante milhões de anos, é grande e cada emoção é responsável por uma ação específica. O estudos das emoções desencadeadas durante uma sessão de equoterapia nos permite, portanto, desencadear ações sensoriais ou motoras específicas, direcionando a plasticidade neuronal.

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