27 de setembro de 2011

O Olhar da Psicomotricidade na Equoterapia


De acordo com a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade, a psicomotricidade “é a ciência que tem como objetivo de estudo o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo” (S.B.P.,1999).
A psicomotricidade vê o indivíduo como um todo, sem fragmentos, a sua representação através do seu corpo, o seu modo de ser, a linguagem deste corpo expressa através dos seus movimentos que a partir de uma atividade psíquica transforma a imagem da ação em uma concretização dos estímulos musculares adequados para a execução dos mesmos. É nesta perspectiva de uma visão holística que podemos relacionar a psicomotricidade e a equoterapia, pois tanto uma como a outra busca o desenvolvimento e/ou a reeducação do indivíduo e/ou praticante, enfatizando atividades específicas de acordo com a necessidade de cada um, mas não deixando de agir de forma global, nos seus aspectos biopsicossociais.
Ao analisarmos a definição dada por um autor sobre a psicomotricidade fica ainda mais evidenciada a presença inevitável da psicomotricidade na equoterapia: “Seu objetivo é fornecer elementos para que a criança possa construir seu desenvolvimento global, através de seu próprio corpo e da relação do corpo com o meio ambiente. É tocando, apalpando, correndo, cheirando, observando, que a criança desenvolve seu físico, realiza seus conhecimentos, elabora seus conceitos, desperta suas emoções, enfim, percebe o mundo que a cerca e constrói seu mundo interior.” Tudo o que este autor nos revela é possível na equoterapia, começando pelo ambiente físico onde esta terapia é realizada; a possibilidade do contato com sons, objetos, e inúmeras sensações característicos da natureza, a observação e consciência do mundo que a cerca, o despertar das suas emoções por estar sob o lombo de um grandioso e imponente animal, mas que permite uma relação intensa de afeto, a possibilidade de naquele momento o praticante ser ele mesmo, ser espontâneo, permitir a sua integração no meio físico e social além da elevação da sua auto-estima por ser aceito, independente das suas limitações, restaurando a sua imagem corporal e favorecendo o equilíbrio corporal e psíquico.
Grande parte de uma bateria de exercícios psicomotores, propostos para serem realizados por um paciente, durante uma sessão de psicomotricidade, numa sala ou consultório, podem ser realizados na equoterapia atingindo os mesmos objetivos, porém com alguns significativos diferenciais como, por exemplo, a qualidade do bem estar do paciente como também a rapidez da evolução no tratamento.
Através da equoterapia é possível trabalhar todas as funções intelectivas como: memória, atenção, análise e síntese, organização do pensamento, orientação e organização espacial e temporal, figura-fundo, percepção visual, relação espacial, coordenação viso-motora e ritmo. Além disso, podemos acrescentar:
- estimulação do esquema corporal, nomeando as partes do corpo do animal comparando-as com as partes do próprio corpo;
- noções de lateralidade observando que o animal possui dois lados e ensinando que o lado esquerdo é o lado correto para se montar;
- noções de lateralidade em exercícios que façam com que o praticante se vire para todos os lados sobre o dorso do animal;
- noções de lateralidade quando o animal será conduzido sozinho pelo praticante atendendo ao que os terapeutas estiverem solicitando.
Em relação ao equilíbrio, podemos dizer que pelo simples fato de andar a cavalo o praticante já é estimulado, buscando o tempo todo o seu equilíbrio, seu controle postural e sua conscientização corporal. A estimulação do equilíbrio através do cavalo seguindo os padrões de movimento tipicamente humanos é a única e se torna o fundamento da súmula da Equoterapia. Através dos constantes deslocamentos do centro de gravidade, pelo movimento tridimensional do cavalo, a equoterapia proporciona ao paciente melhora nas reações de equilíbrio.
O equilíbrio é o estado de um corpo, quando forças distintas se encontram sobre ele, compensam-se e anulam-se mutuamente. É a capacidade de manter a estabilidade enquanto se realizam diversas atividades locomotoras e não locomotoras.
O equilibrar reúne um conjunto de aptidões estáticas e dinâmicas, abrangendo o controle postural e o desenvolvimento das aquisições de locomoções. Pela ativação dos sistemas vestibular, cerebelar e reticular, que excitam os músculos posturais apropriados para a manutenção do equilíbrio adequado, é possível a manutenção do equilíbrio e da postura.
A melhora do equilíbrio através da equoterapia é o ritmo proporcionado pela andadura do cavalo ao passo. A associação do ritmo com o deslocamento pélvico, durante o passo do cavalo, é um excelente exercício para melhorar o equilíbrio. O ritmo está presente o tempo todo durante uma sessão de equoterapia, desenvolvendo a melhora no equilíbrio, tornando possível ao praticante a percepção dos seus próprios ritmos como a batida do seu coração e ainda proporcionando uma sensação agradável mesmo que inconscientemente, ao trazer lembranças do seu passado através da estimulação sensório-motora ou afetiva. Seu ritmo, sua cadência, seu balançar, criam um efeito tranqüilizador e caloroso.
O ritmo envolve as noções do tempo e do espaço e a partir da combinação dos mesmos se dá origem ao movimento. É na fusão entre a percepção dos próprios ritmos e o movimento que está a chave do equilíbrio, pois é na atividade sensorial complexa que se faz possível a aquisição do equilíbrio.
A equilibração é responsável por todos os processos que envolvem a aprendizagem do ser humano. O papel do psicomotricista na equipe multidisciplinar é de trabalhar a conscientização do movimento, a percepção espaço-temporal, a lateralidade e a coordenação motora utilizando o cavalo como recurso terapêutico. Explorar os seus conhecimentos no sentido de promover benefícios físicos, mentais, sociais e educacionais ao praticante e trocar experiências com os demais profissionais que integram a equipe.

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