20 de outubro de 2011

Relações do Praticante


Muitos praticantes da equoterapia apresentam um distúrbio de relacionamento, que se manifesta fundamentalmente na incapacidade ou na dificuldade de interagir com as mensagens que chegam do ambiente externo, seja com o objeto não interpessoal.
A equoterapia supõe uma relação triangular entre o praticante, cavalo e terapeuta. O cavalo pode ser uma forma de acesso entre a realidade do praticante e a do terapeuta. Ele funciona como “objeto” intermediador entre o mundo intra-psiquico do praticante, carregado de fantasmas, de desejo e de angústias, e o mundo exterior.
O terapeuta precisará fazer com que o praticante passe por situações em que não se sinta ameaçado e encontre impulsos de motivação e de interesses, fazendo com que se torne um sujeito ativo.
Na equoterapia o cavalo é uma novidade em relação a outras técnicas terapêuticas, pois ela não é uma pessoa nem um objeto, mas um ser vivo e comunicante que pode ser carregado de significados simbólicos. Ele é usado para despertar interesses, que já começam pelas características corporais, como o calor, cheiro, tamanho, etc. Esses interesses tornam-se veículo de relação e intercambio.

Relação cavalo / praticante


A relação cavalo / praticante é uma relação de amar ou não amar, de bem-estar ou de mal-estar. Será um jogo de prazer entre os dois. O cavalo necessita de afeto para estabelecer uma relação, assim como o praticante. Essa relação aparecerá um dia, mas não saberemos se foi do cavalo ou se foi do praticante que a estabeleceu primeiro. Será positiva quando o prazer de um for igual ao prazer do outro. E será negativa se o praticante vice com medo, angústias, pois a relação com o cavalo será difícil, talvez impossível, assim como o cavalo, se tiver sido maltratado, muito brutalizado com fins ditos de domagem. Nesse caso, será pouco utilizável para fins terapêuticos.
Para que essa relação não se torne negativa, precisamos fazer com que o praticante não tenha medo do animal. Sua aproximação será gradual, sendo primeiramente só em novel de contato visual. À medida que o cavalo se torne uma cisão cotidiana, podemos começar a aproximação aos poucos, iniciando-se com o toque, o acariciar, sentir seu cheiro, sua respiração, as diferentes partes do corpo animal, ora duro e ora mais mole, ora liso e ora crespo. Em seguida, quando notarmos quando o praticante não sente mais medo, poderemos colocá-lo sobre o dorso do cavalo. Se, apesar de tudo, o praticante não consegue vencer o medo, é necessário renunciar a equoterapia.

Relação praticante / terapeuta


A relação praticante / terapeuta é uma relação na qual se estabelece uma transferência, na qual o terapeuta assumirá o papel materno ou paterno, dependendo de cada caso e de suas potencialidades. É uma tentativa de adequar essa relação que normalmente está afetada. Essa transferência favorece sobretudo a reestruturação de relação mãe-filho. Normalmente se manifestam por linguagem corporal, ou seja, comportamentais regressivos, como sucção de dedo e perda de controle de urinar e de evacuar. Podemos considerar essas manifestações, no caso de pessoas com deficiências, como momentos positivos, pois fazem parte de um processo de evolução e melhora

Relação terapeuta / cavalo


A relação terapeuta / cavalo é uma relação forte, na qual são tecidas ligações muito específicas que tem influencia certa em seus respectivos comportamentos. Não basta apenas ter simpatia por um cavalo, temos de estabelecer uma boa relação, para que ele responda à solicitação do terapeuta, esteja condicionada à voz do terapeuta  que execute bem suas ordens. Para intensificar ainda mais essa relação, podemos dar em troca carícias, agradecimentos em forma de guloseimas, como forma de reconhecimento pelos serviços prestados. Assim ensinamos ao mesmo tempo ao praticante a ser afetuoso e gratificador.

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