19 de janeiro de 2013

Livro: Encantadores de Vidas


Autor:  Eduardo Moreira
Editora: Record
Categoria: Autoajuda / Relações Interpessoais

À primeira vista, não há nada de belo em um tombo. Desequilíbrio, erro. Quase uma vingança da natureza por andarmos eretos. Mas foi a partir de duas quedas que Eduardo Moreira reestruturou toda sua vida. Ao encarar o mundo do chão, começou uma jornada que o levaria ao encontro a dois homens que mudariam sua forma de enxergar pessoas, relacionamentos, limitações: Nuno Cobra e Monty Roberts. Um, encantador de pessoas. O outro, de cavalos. Juntos, encantadores de vidas.


Recomeçar

  Uma das experiências mais difíceis e no entanto mais ricas que podemos experimentar em nossas vidas é a de termos de recomeçar. Ser jogado de volta ao ponto zero do tabuleiro. Tropeçar próximo ao cume, e escorregar de volta até a base da montanha. Olhar pra frente e perceber que o destino final de nossas caminhadas voltou a ser apenas um pequeno e distante ponto que repousa no horizonte.
    Somos inevitavelmente levados, neste momento, a viver alguns dos mais duros sentimentos, capazes de derrubar o mais forte dos homens. Vergonha, preguiça, medo, raiva, todos vem em forma de enxurrada, e parecem jogar nossa energia também de volta ao ponto zero. É neste momento que nos tornamos frágeis, e não raramente sucumbimos à tentação de relativizar nossa ética e valores até então tido como inquestionáveis. É solo fértil para que abracemos uma devoção religiosa que flerte com o fanatismo, pratiquemos atos corruptos, adotemos uma postura agressiva e covarde frente a pessoas queridas e próximas, e até mergulhemos em vícios como o álcool e drogas para que por alguns instantes tenhamos o alivio de abandonar a dura realidade. O instinto de sobrevivência falando mais alto.
  Recomeçar porém pode ser uma dádiva. Henry Ford costumava dizer que "O insucesso é apenas uma oportunidade para recomeçar de novo com mais inteligência". Um conceito que a natureza nos mostra ser inevitável e, acreditem, necessário! Bilhões de anos de evolução nos mostraram que só chegamos até aqui graças a este processo. Somos o resultado de vários recomeços. Choques com asteroides, eras glaciais, dilúvios, pestes. Todos apontaram para o fim, mas significaram o início de uma nova fase de evolução e esplendor. Não fosse a extinção de quase toda a vida sobre a terra após o choque de um meteoro na região onde hoje fica o México, as condições para que um pequeno mamífero que mais parecia um camundongo evoluísse até o homem moderno não existiriam.
  Nosso organismo funciona também assim. Quando comemos algo que nos faz mal, o corpo trata imediatamente de processar a limpeza. O esvaziamento completo, para que se possa começar do zero sem o risco de que traço algum do causador do mal permaneça e contamine o resto. A natureza concluiu que era mais rápido assim do que buscar o ponto fragil para livrar-se apenas dele. Melhor um fim horroroso do que um horror sem fim.
  O recomeço tem como elemento mais poderoso zerar nosso custo de oportunidade. Quem não tem mais nada, nada mais tem a temer. E quando temos pouco, ou nada, a perder, criamos coragem para sair da zona de conforto. Simplesmente porque não existe mais zona de conforto. E é essa conjunção de fatores, a saber a chance de se começar sem vicios, a bagagem do aprendizado e a coragem para tentar algo novo, que resulta em histórias fabulosas de sucesso. Muito menos raras do que se imagina.
  Quando estive na Califórnia ha três anos para aprender a técnica de doma de cavalos sem violência de Monty Roberts, era de toda a classe o único que nada sabia sobre cavalos. Não ter vícios foi meu grande trunfo, e partindo do zero tornei-me um dos maiores domadores destes animais em meu país num prazo incrivelmente curto. Aprendi que o que nos atrasa não é ter uma longa caminhada pela frente, e sim o apego ao velho caminho que já se provou ineficaz.
  Recomeçar é renascer. E renascer traz de volta a alegria do encontro com o novo. Ter a possibilidade de percorrer uma nova estrada não é certeza de chegar a um destino melhor, mas é uma chance. Afinal, nem toda mudança leva a um lugar melhor, mas para chegar a um lugar melhor precisamos mudar. 

Eduardo Moreira - Autor de Encantadores de Vidas


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