19 de maio de 2016

O Cavalo de Equoterapia

11 de maio de 2016
- Flavia Giantomassi
O cavalo de Equoterapia

"Sou fisioterapeuta de formação e esse ano completo 12 anos de trabalho com Equoterapia.  Ao longo dessa jornada desfiz as ideias sobre cavalos que permearam a minha infância e juventude, ideia de que existiam três tipos de cavalos: o manso velhinho, o disposto e bom de trabalho e o difícil com bardas e mal domado.

Ao atender pessoas usando o cavalo e seu ambiente como instrumento de atendimento, vi que aquele “piqueteiro”, velho e bonzinho, que as pessoas em geral acreditam ser o mais indicado para Equoterapia, não é o cavalo para esta prática. Em nosso Centro de Equoterapia recebemos muitas ofertas de cavalos que deveriam se aposentar, mas pelo desconhecimento acha-se que fazendo Equoterapia ele teria uma ótima aposentadoria. Já tivemos a experiência de ganhar um cavalo destes e por mais esforços, treinos e dedicação simplesmente não deu certo.

Sabemos que o cavalo é um animal associativo, ou seja, todas as memórias são armazenadas em seu cérebro e que podem ser resgatas a qualquer hora, marcas mentais negativas podem impossibilitar o trabalho.

Então qual é o cavalo para Equoterapia?

Um cavalo saudável, jovem, disponível, que goste do contato. Um animal musculado e flexibilizado para aguentar mudanças abruptas do cavaleiro se elas acontecerem (autistas, deficientes Intelectuais), deve ser forte para levar um indivíduo que pode não conseguir se sustentar sozinho. É um cavalo que deve estar dessensibilizado para se deparar com palmas, gritos, comandos de pernas inesperados e, principalmente, deve-se cuidar do seu tédio, da parte mental, pois muitas vezes a equoterapia precisa de rotina, da mesmice, do mesmo percurso ao passo. Se não tivermos um cuidado com isto, pode ser muito tedioso para ele.

Aluísio Marins diz que o trabalho de Equoterapia talvez seja o mais estressante para o cavalo. O que faz com que seja muito difícil de ser encontrado e treinado.

O cavalo de equoterapia não pode errar, e ele sabe disso! Muitas vezes nem tocar uma mosca em paz ele pode. Nossos cavalos devem ser surpreendidos com novos caminhos, novas propostas, novos movimentos. Tomamos o cuidado de após o praticante se despedir,  apresentarmos algo diferente, saímos por outro lugar, rodamos na guia antes de soltá-lo, levamos até um tambor ou algum objeto diferente,  enfim,  qualquer coisa que o surpreenda.

Penso que poderiam me perguntar por que uma fisioterapeuta tem que se preocupar com isto?

Porque “isto” muda todo o trabalho terapêutico do praticante: um cavalo calmo, seguro, obediente e disposto aumentará toda a qualidade terapêutica. Cavalo não é terapeuta, o cavalo sozinho e em mãos erradas pode ser muito maléfico em alguns sentidos.

Não subestime o trabalho, não subestime o cavalo! Em um outro momento falaremos sobre andamentos, frequência de passadas, tamanhos, sexo, raça, e outras especificidades para o trabalho em equoterapia." 


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